sábado, 10 de dezembro de 2011

Culpa, medo, graça e paz


A culpa habita a essência humana.

A força que moveu a humanidade, mais que qualquer outra, foi a culpa.

A culpa vem da primeira transgressão.

Uma coisa é conhecer uma Lei—“Da árvore do Conhecimento do Bem e do Mal não comerás; pois se dela comeres, morrendo, morrerás”. Outra é conhecê-la como transgressão.

O Conhecimento Informativo não gerou culpa, nem vergonha, nem medo, nem fuga.

Mas quando o “fruto” foi comido, tendo antes aberto o apetite de modo alienígena...era como o gosto de “pular a cerca”...despertando também os sentidos estéticos...pois o fruto era belo de se ver...e criando uma ambição de auto-divinização...ser como Deus...conhecedor do Bem e do Mal...ah!...então, veio o conhecimento da Lei...e tal conhecimento é sempre experiencial.

Somente a transgressão à Lei dá conhecimento dela, pois a Lei só se faz conhecer como culpa ou medo.

É dessa culpa essencial que procedem todas as neuroses humanas.

E como o sexo é o clímax de toda experiência sensorial que os humanos podem ter...então, ele foi o ponto de convergência de quase todas as neuroses.

“Vendo que estavam nus, fizeram para si coberturas...cintas de folhas de figueira”—foi como a culpa primeiro se expressou: como negação do prazer.

O bem virou mal.

O mal virou bem.

Houve uma inversão.

O mais belo se tornou o mais feio; e o mais digno se transmudou em vergonha; e o grito de gratidão pelo prazer—“Esta afinal é minha carne!”—passou a ser algo acerca do que a alma precisava se dês-culpar...e se ter muita parcimônia.

Assim a vida humana é culpa...

Culpa de ter nascido...

Culpa de gostar do que se diz que não se deve gostar...

Culpa de amar a quem está proibido...

Culpa de ser amado e não corresponder...

Culpa por não se fazer amar...

Culpa por não ter conseguido chamar de amor àquilo que um dia se pensou que era...

Culpa de não ser compreendido...

Culpa de ter gerado filhos...e não conseguir controlar os seus destinos...

Culpa de possuir...

Culpa por não conseguir possuir...

Culpa de não ter sucesso...

Culpa de ter sucesso...

Culpa de se ser feliz...

Culpa de ser infeliz...

Culpa de não alcançar as expectativas projetadas...

Culpa da honra, da desonra, da cobiça, do poder, da fraqueza, do desejo, da inapetência, do orgulho, da cobiça, da falência, culpa...de ser.

É da culpa que vem todo o resto...vergonha, medo, fuga e, sobretudo, o medo-fobia da morte.

Culpa e Medo são a antítese de Graça e Paz!

A psicanálise pode ajudar muito no problema da culpa, identificando-a como neurose e ajudando o indivíduo a diminuir a carga de seu existir...

Mas somente quando se toma consciência de que Jesus se fez pecado, culpa e vergonha por nós...é que se está no caminho da libertação da culpa...a fim de que se vá aprendendo a viver sem ela...até que se entre na Paz.

A psicanálise faz o melhor caminho que a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal pode fazer com os recursos que a ela estão disponíveis no Éden...

Digo, quase todos os recursos, pois há um, o único, que a psicanálise não pode ainda perceber...ou o percebe...mas o simboliza demais, esvaziando assim o seu poder real e eficaz.

No Éden Deus cobriu o homem e a mulher com vestes de pele de um animal...roupas de sangue...sangue de outrem.

Freud não era o segundo Adão!

Somente no Segundo Adão, e em Sua obra Consumada aos olhos do Criador—quando se fez pecado por nós—, é que a culpa pode cessar por completo.

Somente quem crê que Deus aceitou como Consumado tudo o que o homem devia a Ele; e crê que o Primeiro Crente é Deus, pois Ele creu no Sacrifício de Cristo; e crê que se Deus Aceitou a Cristo, então quem o aceita, aceita aquilo e Aquele que por Deus foi aceito no lugar de todos os homens—Sim, somente este ser humano vai começar a entrar na Paz!

Aos olhos de Deus o pecado foi aniquilado na Cruz, conforme a Epístola aos Hebreus.

Os pecados que faziam separação entre nós e Deus foram de todo removidos.

Por isto, todo aquele que invocar o Nome do Senhor será salvo.

Ora, essa salvação não é apenas um passaporte para a eternidade. Ela é sobretudo uma certidão de libertação da culpa, da vergonha e do medo...inclusive o medo da morte.

É sem culpa que nós temos que tratar dos nossos pecados. Pois com culpa apenas os aumentaremos e os fixaremos mais profundamente em nós...como “pecados próprios”.

Eu preciso não ter pecado para começar a pecar cada vez menos!

Somente aquele para quem toda condenação já foi cancelada é que pode começar a andar de modo a não se condenar tanto...e assim, pecar menos, pois a condenação apenas nos faz pecar mais e mais...

Santidade é o estado de todo pecador que vive sem culpa, por que creu na Graça que é maior que a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal.

Esses, os que assim creram, desistiram da tal Árvore exatamente no momento em que admitiram que a salvação é pela fé.

Inverte-se a ordem gnóstica.

Não é o Conhecimento que gera a Fé. É a Fé que gera um Conhecimento em Fé, que é um Conhecimento que se assume como Fé na Graça, e que se entende como sendo também Graça...e não auto-desenvolvimento.

Aqui está a esperança para se crescer para além de todas as neuroses...embora este seja um caminho estreito...e poucos acertam com ele.

Ele é estreito para o Conhecimento, mas é tão largo quanto a Fé; isto para quem crê!

Quem crê não será confundido...nunca mais!

domingo, 23 de janeiro de 2011

A humanidade e o fim dos tempos


Mateus 24. 9-13

Acompanhamos hoje a humanidade no auge da sua iniqüidade, perversidade, egoísmo, estupidez, e fazendo de tudo para não viabilizar a vida na Terra.

Vivemos um tempo na história onde não há argumentos contra este fato. É sim uma afirmação realista, porque diz que sendo quem somos e vivendo como vivemos, o mundo vai acabar. É realista, pois nossas construções são torres de nossas destruições, e acima de tudo, porque a perversidade nos rodeia e assusta a todo instante.

O apóstolo Paulo, em sua sabedoria, relatou: ”Não há um justo, nem um sequer, não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto; com as suas línguas tratam enganosamente; peçonha de áspides está debaixo de seus lábios; cuja boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. Em seus caminhos há destruição e miséria; E não conheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos”.

Quem não carrega dentro de si tal declaração, caminha para a perdição. Ora, foi ele também quem notificou: “Todos pecaram e carecem da glória de Deus”. E esta é uma verdade que brota da Palavra de Deus, não foi homem quem a inventou.

Paulo sentia que aqueles dias seriam os últimos, tamanha era a deformidade humana da época, imagina se ele abrisse os olhos nos dias de hoje. Ele, também, escrevendo a uma comunidade de discípulos, a exemplo de Timóteo, ensinava o seguinte: “Sabe, porém, isto, que nos últimos dias virão tempos difíceis; pois os homens serão amantes de si mesmos, avarentos, pretenciosos, soberbos, maldizentes, desobedientes aos seus pais, ingratos, ímpios, sem afeição natural, implacáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, inimigos do bem, traidores, insolentes, presunçosos, amando mais os prazeres do que a Deus, tendo a aparência de piedade, porém negando o poder dela. Foge também destes homens”. (II Tim. 3)

Também está escrito que serão sintomas dos últimos dias: guerras, fomes, crises no meio ambiente, fobias, tiranos, falsos profetas, mensagens errôneas, religiões poderosas enchendo milhares de corações de ódio.

Fato é que não pode-se negar a bestialidade dos dias em que vivemos. Nestes dias , nos quais a ideologia predominante é a moeda, e o amor se esfria; pode haver esperança, se houver consciência sóbria do evangelho. Me refiro à consciência de ser pecador, mas não querer permanecer no pecado. Me refiro ao cuidado que precisamos ter, pois enquanto a frieza e os surtos religiosos se proliferam com uma rapidez nunca vista antes, as sutilezas mentirosas e desvairadas podem acabar me alcançando e achando morada no coração.

No mundo onde amamos e odiamos, somos gentis e a o mesmo tempo ríspidos, onde a ambiguidade e a ambivalência dos nosso significados interiores podem nos enganar, devemos estar atentos, para que pouco a pouco, não percamos a fé, o amor e a esperança.

Não negocie nada com ninguém, nem consigo mesmo, passando por cima da verdade. Não barganhe seu relacionamento com o Senhor. Não ore com intenções mágicas, mas peça com fé o que Deus te conscientizou ser a vontade Dele. Deus não abençoa caprichos humanos, mas se agrada no altruísmo, na reverência aos pais, à família, aos amigos, ao trabalho, aos horários.
“Portanto, acima de todas as coisas que se deve guardar, guarda o teu coração, pois dele procedem as fontes da vida”. (Pv 4.23)

E , aquele, porém, que continuar firme até o final será salvo.” (Mt 24.13)

Está escrito! Prossiga para Jesus, Autor e Consumador da fé. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. Pense nisso!